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Urbanização

URBANIZAÇÃO
O marco da fundação da cidade de Itu foi a construção, em 1610, de uma capela devotada a Nossa Senhora da Candelária, no lugar em que hoje fica a Igreja do Bom Jesus. Esta capela foi construída por Domingos Fernandes e seu genro, Cristóvão Diniz. Eles receberam por sesmaria em 1604, a posse das terras dos campos do Pirapitingui. Em 02 de Fevereiro adotou-se o dia como data de aniversário de Itu, por coincidir com o dia de Nossa Senhora da Candelária.

O povoado se formou em torno desta capela. Em 1.657, passou à condição de Vila com direito a possuir uma Câmara Municipal, iniciando-se assim a construção de um novo templo. Durante quase 100 anos (de 1657 a 1750) a Vila de Itu não passou de um pequeno núcleo, com menos de 100 casas, concentradas no pátio da antiga Matriz e numa única rua que ia do pátio até a capelinha do primeiro povoado. Uma boa parte das casas, as do pátio, sobretudo, pertencia a fazendeiros. Quando aumentou a escravatura e a produção das fazendas, seus donos ajudaram a erguer dois conventos na Vila, o de São Francisco (1692) e o do Carmo (1719).

Os comerciantes ergueram, em 1726, a capela de Santa Rita, inaugurada em 1728, num lugar ainda descampado.
Em 1760, já existiam cerca de 105 casas e mais uma rua, chamada da Palma (atual Rua dos Andradas). Nessa época, Itu se firma como entreposto de comércio na rota entre o sul do país e as regiões mineradoras de Mato Grosso e Goiás. Na Vila, a maioria das casas, eram pequenas e habitadas por gente que pouco ou nada possuía.
Alguns anos depois, em 1776, com o crescimento das lavouras da cana de açúcar e do algodão a Vila cresceu contando com 180 casas, tendo ainda as mesmas ruas de antes. Quem deu vida à localidade foram os artesãos (sapateiros, ferreiros, carpinteiros, tecelões, costureiras e fiandeiras), os quais ocupavam 119 casas. Os comerciantes interessados na venda de tecido, colchas e cobertores para outras regiões, promoveram o cultivo de algodão, e a produção caseira de tecidos.

A partir de 1777, a Vila de Itu cresceu em função dos negócios de exportação de açúcar para a Europa. O número de engenhos de cana e de escravos vindos da África se multiplicaram.

De 1785 a 1792, foram abertas as ruas que descem paralelas, pelas encostas do espigão central, e seus prolongamentos pelo lado da Igreja do Patrocínio inaugurada em 1.819.

Em 1.811, foi criada a Comarca de Itu.

Pela Lei Provincial de 05 de fevereiro de 1.842, a Vila de Itu foi elevada à cidade. Nessa ocasião, possuía umas 800 casas.

A partir de 1.850 e durante anos, Itu foi considerada a cidade mais rica da Província de São Paulo, com importante participação na vida política e econômica.

Em 1860, ocorreu uma grande crise no mercado internacional do açúcar.

O plantio da cana entrou em decadência, causando, com o tempo, um conflito entre os políticos e os fazendeiros ituanos contra o Governo Imperial. Cresceu em Itu o Movimento Republicano que resultou, em 1873, na realização da Primeira Convenção Republicana do país. Início da propaganda republicana, com a criação do Partido Republicano Paulista. Por isso mesmo, Itu é chamada de “Berço da República”.

O açúcar veio sendo gradativamente substituído pelo café. Com o aumento da produção cafeeira, os fazendeiros buscaram, na Europa, a vinda de imigrantes para substituir a mão de obra escrava. O tráfico havia sido proibido em 1850 e, a escravidão abolida em 1888. Com a ajuda do governo republicano, proclamado em 1889, vieram para Itu milhares de imigrantes a maioria italianos. A cidade possuía, nesta época, cerca de 1800 casas.

O café foi à base da economia do município até 1935, ano da maior produção, decaindo depois, pela concorrência de outras áreas de plantio e pelo esgotamento de suas terras.

De 1935 a 1950, Itu quase não cresceu além da área já ocupada. A partir de 1950 novas indústrias se instalaram na cidade, principalmente as de cerâmicas. Ocorreu grande migração rural em busca de trabalhos nas fábricas. A cidade começou novamente a crescer com a abertura de diversos loteamentos na periferia. Itu já não tinha a mesma importância de antigamente, sendo influenciada pela Capital do Estado, já então uma metrópole. O velho centro, a maior e mais importante herança cultural dos tempos da colônia, passou a ser transformado em centro histórico e área comercial.

Após 1970, com a construção da rodovia Castelo Branco, novas indústrias instalaram-se em Itu, principalmente às margens de suas estradas de acesso. A industrialização, as faculdades, o comércio e o turismo passaram a incrementar o crescimento da cidade que, em 2017, conta com 260 mil habitantes.

POPULAÇÃO DE ITU NO SECULO XVII
A transcrição dos livros de batismos das igrejas de Itu deu origem a dois grandes bancos de dados informatizados. Um, composto somente pela série de batismos de pessoas livres, conta com 18.309 assentos, cobrindo o intervalo de 1698 a 1836; outro, de índios e escravos, conta com 10.018 registros para os anos entre 1704 e 1800. Estes bancos estavam previstos para alcançar o ano de 1890, data final de observação definidos no projeto de investigação.

Se considerássemos que “escravos” referem-se a africanos ou crioulos, com a exclusão de índios da categoria, seria crível imaginarmos que proliferaram, desde a década de XX, casamentos mistos entre homens índios e mulheres escravas. Todavia, dentre as 2150 mulheres descritas como escravas, em todo o intervalo entre 1704 e 1800, apenas 35 são explicitamente consideradas africanas ou crioulas, enquanto outras 123 são decididamente índias. Portanto, não há indícios suficientes para considerar, com segurança, que todas as ditas “escravas” sejam ou não índias, devido ao caráter lacunar dos assentos. De qualquer maneira, resta a notável preocupação dos párocos em registrar, no intervalo entre 1720 e 1740, a maioria esmagadora das mães como escravas, a despeito de qualquer legislação restritiva nesse sentido. E, em contraposição, chama á atenção a situação confusa das denominações dos pais no mesmo período. Condições jurídicas distintas, ou olhares a diferenciar o papel feminino e masculino no contexto do trabalho? Uma sugestão a se considerar seria de que, como a condição da criança é herdada pela linha feminina, talvez houvesse uma maior preocupação na denominação do vínculo das mulheres. Aqui valeria, certamente, cotejar estas variações de categorias de vínculos com a legislação, para se buscar detectar estratégias de “legalização” das relações entre indígenas e seus senhores. Outra linha interessante a se investigar consistiria no cruzamento desses assentos de batismo com os inventários post-mortem contemporâneos, num esforço de cruzar as informações nominativas dessa população tão fugidia.

Índios
As reduções organizadas pelos jesuítas no interior do continente foram, para os paulistas, um presente dos céus: reuniam milhares de índios adestrados na agricultura e nos trabalhos manuais. No século XVII, o controle holandês sobre os mercados africanos, no período da ocupação do Nordeste, interrompeu o tráfico negreiro. Os colonos voltaram-se então para o trabalho indígena. Esse aumento da procura provocou uma elevação nos preços do escravo índio, considerado como "negro da terra", e que custava, em média, cinco vezes menos que os escravos africanos 

Embora a caça ao índio tenha ocupado a atenção dos bandeirantes até meados do século XVII, desde os primeiros tempos da colonização houve tentativas de descobrir metais preciosos no sertão brasileiro. Ouro e prata eram, na verdade, a primeira coisa que os europeus procuravam em toda parte no período das grandes navegações.

A AUTONOMIA ITUANA
No século XVII, durante decênios Itu foi o ponto mais profundo do povoamento de todo o Brasil – a “Boca do Sertão”. O historiador Afonso de Escragnolle Taunay, diretor do Museu Paulista e organizador do Museu Republicano “Convenção de Itu”, teve a ideia de representar essa fase da história local em vários painéis de azulejos, que revestem as paredes do antigo solar dos Almeida Prado.

Não se sabe ao certo onde ficava a aldeia Maniçoba. Talvez seja a mesma aldeia de que fala Simão de Vasconcelos, situada a 90 milhas de São Paulo em direção ao sertão, “junto de um rio onde se embarcava para as terras dos carijós”. Muito pouco durou a aldeia de Maniçoba. Os jesuítas resolveram abandoná-la, concentrando suas atividades em um lugar mais perto de São Paulo. Certo é que já no início do século XVII gente da vila de Santana de Parnaíba possuía terras nos Campos de Pirapitingui.

Em todo o caso, a data oficial de fundação de Itu é 1610, ano em que Domingos Fernandes e seu genro Cristóvão Diniz edificaram a capela dedicada a Nossa Senhora da Candelária. Os pais de Domingos Fernandes eram o fidalgo português Manuel Fernandes Ramos e a paulista Suzana Dias, pais também de Baltazar Fernandes, André Fernandes, Pedro Fernandes, Custódia Dias, Benta Dias e Ângela Fernandes.

Os Fernandes ficaram conhecidos na genealogia das famílias paulistas com o título de “Povoadores”. André e seu pai Manuel fundaram Parnaíba. Baltazar é o fundador de Sorocaba, Domingos e seu genro Cristóvão fundaram Itu. No seu testamento, passado em 12 de dezembro de 1652, Domingos declara: “Eu alcancei dos prelados e administradores Mateus da Costa Aborim e Lourenço de Mendonça e do senhor administrador, que hoje é Antônio de Moraes, licença para fundar uma capela para nela ter capelão curado neste Utuguassu, a qual capela levantamos entre ambos por concerto que para isso fizemos de palavra de sermos na dita capela iguais padroeiros com o defunto Cristóvão Diniz, meu genro, e lhe deixarmos nossas terças para seus aumentos da dita capela, a qual levantamos como digo no campo de Pirapitingui a honra e invocação de Nossa Senhora da Candelária, a qual capela faço e constituo por herdeira do remanescente da minha terça de tudo o que se achar por minha morte”. Domingos Fernandes morreu no seu sítio de Utuguassu em 1653.

Como lembrou o historiador Chiquito Nardy, apesar da manifesta vontade de ser enterrado na povoação que fundara, os seus restos mortais foram levados para a Igreja Matriz de Santana de Parnaíba: “Declaro que se Deus Nosso Senhor for servido levar-me desta presente neste Utuguassu, que meu corpo seja enterrado na capela que temos levantada no campo de Pirapitingui com o meu genro o defunto Cristóvão Diniz a honra e invocação de Nossa Senhora da Candelária”.

Em 2010 Itu celebrou o quarto centenário de sua fundação tomando-se como ponto de referência a inauguração no dia 2 de fevereiro de 1610 da capela edificada por Domingos Fernandes e Cristovão Diniz, sob invocação de Nossa Senhora da Candelária. No entanto, para alguns historiadores a data mais significativa dos primeiros tempos da história local é 18 de abril de 1657, na qual a povoação ganhou plena autonomia. Nesse dia foi levantado o pelourinho por determinação do governador e capitão-mor da Capitania de São Vicente, Miguel Cabedo de Vasconcelos, que por meio de alvará deu a então freguesia a condição de vila. O mesmo alvará definiu os limites do território do município, mandou demarcar o terreno da câmara e cadeia e ordenou a eleição dos seus primeiros vereadores, juízes e mais oficiais. A administração da justiça ficou então dividida entre o juiz ordinário, eleito anualmente pela elite local e principais cidadãos, o capitão-mor e os oficiais da câmara de vereadores. O pelourinho era o emblema do poder e da justiça real nas vilas e cidades do império português e também ponto de referência para a aplicação de castigos e divulgação de atos do governo. Diante do pelourinho eram lidos os bandos (proclamações), ordens régias e determinações dos governadores. Pelourinho ou picota, termo mais antigo e popular, era uma coluna de pedra, sempre colocado em frente ao edifício da câmara e cadeia.

Quando, em 1940, Afonso de Escragnolle Taunay decidiu revestir as paredes do saguão do Museu Republicano “Convenção de Itu” com painéis de azulejos historiados, a criação da vila de Itu foi outro privilegiado. A sua ideia era o aproveitamento do vasto saguão do edifício para rememorar acontecimentos locais por meio de composições históricas, reprodução de documentos iconográficos valiosos e retratos de ituanos de projeção no cenário nacional, provincial e municipal. De acordo com o próprio Taunay, a inspiração da escolha de painéis de azulejos para a materialização daquela ideia veio da fachada azulejada do edifício do Museu e também do gosto da época. Iniciado em 1942, o projeto foi considerado concluído em fins de 1945, ano da aposentadoria compulsória de Taunay.

O painel Elevação de Itu a vila (1657) representa a leitura do alvará aos cidadãos da povoação, feita por um delegado do capitão-mor da Capitania. E a cena ocorre em frente ao edifício do paço municipal (desenhado segundo a figura original inclusa no mapa do Dom Luis de Céspedes Xeria existente no Arquivo General de Índias em Sevilha, Espanha). À porta principal do paço, que ao mesmo tempo é cárcere, domina o escudo das armas reais. Sobre o telhado, pequeno torreão abriga o sino municipal de convocação e rebate, ao lado do mastro onde se desfralda o pavilhão das caravelas oceânicas. Em frente ao paço fez a nova edilidade levantar o pelourinho simbólico de sua entidade. À coluna de pedra, colocada sobre uma banqueta de degraus, coroa uma esfera atravessada por haste de ferro, que nas ex¬tremidades traz os braços armados simbolizadores da vigilância da justiça e das justiças do rei de Portugal. O proclamador do grande acontecimento, vestido de gala, traz à destra desembainhada a adaga e sustém à esquerda o texto do alvará. Grande concurso de assistentes ali se agrupa: potentados, gente do povo, índios e negros. No plano principal o pároco, um franciscano, vários homens e mulheres ouvem atentamente as palavras do emissário do capitão-mor, delegado direto do donatário da Capitania. Sobre a moldura do quadro, destaca-se o brasão real das quinas e castelos adotado com a Restauração de 1640.

Jonas Soares de Souza