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A Vila


GRAVURA: “Vistas da Vila de Itu”, Jean-Baptiste Debret (1768-1848)
A Vila de Itu em 1765 - dados de um censo
Com uma objetividade, comparada aos recenseamentos contemporâneos, o historiador Francisco Nardy Filho, no texto denominado “Itu de outras eras”, realiza minucioso levantamento da realidade ituana durante o ano 1765.
De acordo com seus dados, frutos de exaustiva pesquisa histórica, a Vila de Itu/SP, contava com 3.988 habitantes, entre os quais 2.758 eram livres (1.361 homens e 1.397 mulheres); 1.230 escravos (640 homens e 590 mulheres). 

Para a lavagem das roupas, aproveitavam-se as águas dos dois córregos locais e, para beber, serviam-se da fonte do Cercado dos Franciscanos, além da bica existente na saída do caminho dos matos (atualmente, nas proximidades do Quartel).

O posto de Capitão-Mor era ocupado por Salvador Jorge Velho e o de Sargento-Mor, por Antônio Pacheco da Silva. Além disso, era vigário da vara eclesiástica, o padre Felipe Machado de Campos e o cargo de pároco era exercido por Francisco Xavier de Gusmão. A missa simples custava uma pataca (moeda de prata de origem portuguesa, que circularam no Brasil entre os anos de 1695 e 1834. A série era composta por moedas de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis, sendo a de 320 denominada pataca).

Missa de corpo presente, 640 réis e a missa cantada 1$280 (mil duzentos e oitenta réis). Encomenda e acompanhamento de defuntos custavam à família do falecido, cerca de 640 réis (para a população livre) e 320 réis (escravos). Os batizados e casamentos eram voluntários, ou seja, cada padrinho e o noivo davam o que fosse conveniente.

A Câmara de Itu/SP possuía a seguinte composição: Francisco de Almeida Lara (Juiz Presidente); Manuel de Brito e Morais, Antônio Leme da Silva e José de Arruda Penteado (Vereadores); Miguel Bicudo de Brito (Procurador). Sua movimentação financeira girava em torno de 154$760 em rendas (cento e cinquenta e quatro mil setecentos e sessenta réis), com uma despesa de 130$363 (cento e trinta mil, trezentos e sessenta e três réis), obtendo em saldo, o valor de 24$397 (vinte e quatro mil, trezentos e noventa e sete réis).

Essas valiosas informações, extraídas do texto de Nardy Filho, são consideradas uma das primeiras compilações de dados (se não a primeira), relativas a organização social, política e religiosa de Itu/SP, no século XVIII. Quiçá, nosso primeiro censo oficial antes da invenção do IBGE.
 
FONTE: NARDY FILHO, Francisco. “A Cidade de Itu: crônicas históricas”. Itu: Ottoni Editora, vol. 05, 2000. - Wikipedia.

Rio Tietê – A Estrada para o Sertão
O Rio Tietê (antigamente Anhembi) conta uma história líquida que viaja, praticamente, por todo o Estado de São Paulo de leste a oeste, com origem no município de Salesópolis, na Serra do Mar, a apenas 22 quilômetros do Oceano Atlântico e a 1.027 metros de altura. O Tietê deu as costas para o mar e percorre 1.130 quilômetros até encontrar o Rio Paraná onde joga suas águas.

O início do seu desbravamento começou no século XVI, quando aventureiros da Vila de São Paulo decidiram utilizar aquele rio misterioso que penetrava o interior do Brasil desconhecido para capturar índios destinados a trabalho escravo nas lavouras que prosperavam, na época. Próximo a São Paulo era praticamente impossível navegar pelo rio, formado por rochas graníticas no seu leito e muitas corredeiras e cachoeiras. A maior delas na cidade de Salto, a Utu-Guaçu (nome indígena da cachoeira de Salto) é a divisa natural para a navegabilidade do Tietê, sertão adentro.

O rio permitiu aos bandeirantes a epopéia de conquistas de terras, desbravamento, fundação de diversos povoados e descoberta das riquezas do ouro e pedras preciosas e o aprisionamento de índios. Todavia, nem tudo eram rosas. As expedições, em busca da riqueza fácil do ouro, sofreram com ataque de indígenas, principalmente das tribos guaicurus e paiaguás, fome, doenças, mosquitos, tudo aquilo que os europeus não conheciam.

Com o movimento bandeirantista se firmando ao longo do tempo e com mais conhecimento do trajeto das águas até Cuiabá, começaram o movimento das Monções que, com muita organização, visava o comércio e muitos lucros. Nesse período surgem importantes núcleos bandeirantistas como Santana de Parnaíba, Itu, Sorocaba, Araritaguaba (hoje – Porto Feliz) e outros, onde parte das expedições ou toda ela se fixava, criando gado e fazendo plantações, transformando-se em pequenas aldeias e ao longo do tempo em cidades.

Segundo o historiador ituano, Francisco Nardy Filho, o porto de Araritaguaba começou a ser usado para as expedições (Monções) Tietê abaixo, quando Antônio Cardoso Pimentel e Antônio Aranha abriram suas lavouras naquelas paragens e, também, abriram um caminho para Utu-Guaçu (Itu) de Domingos Fernandes, tornando mais fácil o acesso ao porto de onde partiam as grandes expedições.

Prof. Francisco Antônio Moschini 
Instituto de Estudos do Vale do Tietê.- INEVAT.